A Red Bull enviou um claro aviso aos seus concorrentes na Fórmula 1 ao revelar que a primeira unidade de potência desenvolvida inteiramente por sua própria divisão opera atualmente entre 40% e 50% de sua capacidade máxima.
A nova era dos motores Red Bull Ford
Após duas décadas dependendo de fornecedores externos como Cosworth, Ferrari, Renault e Honda, a escuderia iniciou um programa independente em colaboração com a Ford. O motor Red Bull Ford DM01 é fabricado pela Red Bull Powertrains em Milton Keynes, sob a liderança técnica de Ben Hodgkinson nos motores e Pierre Wache no chassi do modelo RB22.
Questionado para avaliar o projeto em uma escala de um a dez, Wache disse: “Eu diria um quatro ou um cinco”. Se isso deixa muito espaço para crescer? “Com certeza, o potencial é enorme.”
Desempenho inicial surpreende os rivais
Mesmo com a avaliação modesta do diretor técnico, auditorias da FIA indicaram que o motor de combustão interna desenvolvido pela equipe gerou a maior potência entre todos os concorrentes do grid. Esse cenário acende um alerta importante para as demais escuderias, já que o projeto ainda está longe de seu ápice.
“É preciso fazer mais, e também nos sentimos mais responsáveis pelo que podemos alcançar”, continuou Wache.
O dirigente também enfatizou as vantagens de ter a produção sob controle próprio: “No fim das contas, teremos mais liberdade. Como você disse, é uma história de sucesso. Mas, sabe, a jornada ainda não acabou. Temos muito o que melhorar juntos”.
Sobre a estrutura interna, o engenheiro pontuou: “Bem, eu não diria que é mais fácil, porque temos muito mais capacidade e muito mais possibilidades que ainda não exploramos nem aproveitamos”.
Ele completou: “Mas a capacidade e o potencial para alcançar um desempenho melhor são maiores, e é por isso que estamos fazendo isso.”
Diferenças culturais entre motores e chassi
Unir a fabricação de motores e a construção de chassis sob o mesmo teto trouxe desafios operacionais. O cronograma de desenvolvimento de um motor exige prazos significativamente mais longos do que a criação de um chassi, gerando dinâmicas distintas de trabalho entre os departamentos.
“A colaboração e a integração dentro da equipe estão demorando porque nossa maneira de trabalhar é um pouco diferente. Por natureza, as pessoas do lado do motor e do chassi são bem diferentes”.
“De qualquer forma, é um processo de aprendizado para toda a equipe, pois o tempo de desenvolvimento de um chassi é muito mais rápido do que o de um motor. Por isso, a maneira como vemos as coisas é diferente, e a forma como trabalhamos com eles é diferente do que costumávamos fazer quando éramos clientes”.
Com processos internos ainda em fase de consolidação e um motor considerado incompleto que já lidera em potência, a escuderia demonstra que sua margem de crescimento para o futuro é expressiva.






